{"id":5495,"date":"2021-11-06T10:04:09","date_gmt":"2021-11-06T13:04:09","guid":{"rendered":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/?post_type=product&#038;p=5495"},"modified":"2026-03-01T12:47:00","modified_gmt":"2026-03-01T15:47:00","slug":"el-zarco","status":"publish","type":"product","link":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/produtos\/el-zarco\/","title":{"rendered":"El Zarco"},"content":{"rendered":"<p>Leia um trecho:<\/p>\n<p>Esses deveres eram impostos ao povo pela autoridade pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles soldados, que n\u00e3o defendiam as pessoas pac\u00edficas nem se atreviam a enfrentar os bandidos que dominavam a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o, comandante \u2014 perguntou o prefeito \u2014, ontem e anteontem voc\u00eas deram uma canseira nos prateados?<\/p>\n<p>\u2014 Sim, senhor prefeito \u2014 respondeu o comandante enquanto cofiava o bigode espetado \u2014, uma canseira muito forte. N\u00e3o descansamos nem de dia nem de noite.<\/p>\n<p>\u2014 E conseguiram alguma coisa?<\/p>\n<p>\u2014 Demos uma carreira nos prateados, uma carreira terr\u00edvel. Estou seguro de que ficar\u00e3o muitos dias sem aparecer no vale de Cuernavaca. Levaram um belo castigo.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00eas pegaram alguns, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>\u2014 Sim, e os deixamos por a\u00ed, pendurados nas \u00e1rvores, onde, a esta hora, ainda devem estar repousando.<\/p>\n<p>\u2014 Mas pegaram todos?<\/p>\n<p>\u2014 Todos? N\u00e3o, voc\u00ea sabe que isso seria muito dif\u00edcil. Esses covardes atacam apenas pessoas indefesas, mas quando aparece uma tropa organizada como a minha, eles correm, desaparecem.<\/p>\n<p>\u2014Mas e El Zarco? Dizem que ele \u00e9 o chefe do bando que atacou voc\u00eas.<\/p>\n<p>\u2014 Sim, mas ele \u00e9 o mais covarde de todos. Sequer esperou nossa chegada, de modo que quando alcan\u00e7amos Alpuyeca n\u00e3o vimos nem sombra de El Zarco. Tentamos alcan\u00e7\u00e1-lo em v\u00e3o, por\u00e9m, logo ap\u00f3s roubar e assassinar os estrangeiros, deteve-se recolhendo os feridos de seu bando e fugiu precipitadamente. N\u00e3o conseguimos descobrir qual era seu destino e n\u00e3o pudemos encontr\u00e1-lo em nenhum povoado ou rancho que atravessamos durante nossa caminhada at\u00e9 aqui. N\u00e3o sabemos se ele passou pelos lugares que cruzamos ou se tem c\u00famplices em todos esses locais, o que para n\u00f3s \u00e9 o mais prov\u00e1vel. O caso \u00e9 que n\u00e3o podemos continuar com minha cavalaria naqueles montes t\u00e3o escabrosos.<\/p>\n<p>\u2014 Mas ent\u00e3o, senhor comandante \u2014 perguntou o prefeito maliciosamente \u2014, qual foi o bandido que voc\u00eas pegaram? O senhor acaba de dizer que deixaram alguns pendurados nas \u00e1rvores\u2026<\/p>\n<p>\u2014 Ah, meu querido prefeito \u2014 respondeu o militar sem se descontentar \u2014, prendemos alguns suspeitos, os quais estou certo de que s\u00e3o c\u00famplices dos bandidos. Eu conhe\u00e7o bem essa gente, n\u00e3o s\u00e3o capazes de dissimular seus delitos, correm quando nos veem e ficam p\u00e1lidos de medo quando n\u00f3s os interrogamos. Diante da menor amea\u00e7a eles se desesperam e pedem miseric\u00f3rdia! Voc\u00ea pode ver que esse comportamento \u00e9 uma prova, do contr\u00e1rio, por que fariam tudo isso? Seus delitos os acusam. S\u00e3o c\u00famplices que avisam os bandidos, que ocultam seus paradeiros e que participam dos botins. H\u00e1 v\u00e1rios desses por a\u00ed e, a meu ver, o mais importante \u00e9 que os deixamos dando voltas no ar ao pendur\u00e1-los pelo pesco\u00e7o nos galhos das \u00e1rvores da regi\u00e3o. Servir\u00e3o de exemplo! N\u00e3o \u00e9 o que lhe parece?<\/p>\n<p>Portanto, o valente militar havia fuzilado e enforcado nada mais do que alguns infelizes camponeses e alde\u00f5es, apenas por suspeitar de que estariam trabalhando para os bandidos. Tudo isso para n\u00e3o se apresentar ao seu chefe em Cuernavaca com as m\u00e3os limpas de sangue.<\/p>\n<p>O prefeito compreendeu exatamente essa injusti\u00e7a, e por isso perguntou com insist\u00eancia:<\/p>\n<p>\u2014 Sim, senhor comandante, isso eu entendi, mas e El Zarco?<\/p>\n<p>\u2014 El Zarco, senhor prefeito, deve estar agora muito longe daqui. Talvez no distrito de Matamoros ou pr\u00f3ximo de Puebla. Deve estar repartindo seu roubo na maior seguran\u00e7a e tranquilidade. Bom para ele, que decidiu tomar um rumo diferente do nosso!<\/p>\n<p>\u2014 Mas dizem por a\u00ed \u2014 objetou o prefeito \u2014 que sua base fica em Xochimancas, a poucas l\u00e9guas daqui, onde ele conta com mais de quinhentos homens. Pelo menos \u00e9 o que se diz aqui no povoado, e n\u00f3s sabemos muito bem, porque \u00e9 exatamente de l\u00e1 que saem os grupos que assaltam as fazendas e os povoados da regi\u00e3o. \u00c9 l\u00e1 que eles guardam o que roubam, onde est\u00e3o presos os sequestrados, onde est\u00e3o seus cavalos, suas muni\u00e7\u00f5es, enfim. Segundo not\u00edcias que recebemos diariamente, vivem l\u00e1 como se estivessem em uma fortaleza. T\u00eam at\u00e9 artilharia, m\u00fasicos e charangas, as quais algumas vezes os acompanham em suas expedi\u00e7\u00f5es e que servem tamb\u00e9m para diverti-los em seus bailes.<\/p>\n<p>\u2014 Eu sei, eu sei \u2014 respondeu o comandante com certo enfado \u2014, mas voc\u00ea sabe como o povo exagera as coisas. Tudo isso \u00e9 inven\u00e7\u00e3o. Eles se refugiaram em Xochimancas uma ou duas vezes, tocaram os dois ou tr\u00eas clarins que t\u00eam consigo e o medo do povo inventou todo o resto. Afinal, voc\u00ea n\u00e3o vai negar, senhor prefeito, que voc\u00eas vivem aqui t\u00e3o mortos de medo que nem parece haver homens habitando essas comarcas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #ff0000;\">Envio imediato!<\/span><\/strong><\/p>\n<h2>O bandido El Zarco continua vivo no M\u00e9xico e no Brasil. Neste livro, Altamirano denuncia como todo um pa\u00eds pode ser sequestrado pela a\u00e7\u00e3o conjunta de um governo incompetente e a mil\u00edcia estabelecida nas cidades.<\/h2>\n<p>A Am\u00e9rica Latina \u00e9 o cen\u00e1rio de uma hist\u00f3ria c\u00edclica de pobreza, viol\u00eancia policial, preconceito, racismo, corrup\u00e7\u00e3o, arbitrariedades, territ\u00f3rios dominados por mil\u00edcias e popula\u00e7\u00f5es inteiras aterrorizadas pelo crime. Em\u00a0<em>El Zarco,<\/em>\u00a0o mexicano Ignacio Manuel Altamirano (1834-1893) apresenta esses elementos e suas correla\u00e7\u00f5es. O autor exp\u00f5e um triste cen\u00e1rio socioecon\u00f4mico bastante conhecido tanto no passado quanto no presente de praticamente toda na\u00e7\u00e3o latino-americana.<\/p>\n<p>O esplendor da natureza da buc\u00f3lica Yautepec do s\u00e9culo 19 \u00e9 o cen\u00e1rio para o quadro de caos social no qual vivem seus moradores. Essa terr\u00edvel situa\u00e7\u00e3o de desamparo institucional em um local de natureza exuberante \u00e9 inevitavelmente familiar aos leitores brasileiros. Na obra de Altamirano os pobres sofrem nas m\u00e3os dos grupos criminosos, que intimidam, sequestram ou matam pessoas em nome dos seus interesses, e nas m\u00e3os do Estado, que representa uma amea\u00e7a real \u00e0 liberdade e \u00e0 vida dos cidad\u00e3os que n\u00e3o se curvam \u00e0s suas arbitrariedades.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ambiente que se desenvolve uma trama onde o car\u00e1ter de um homem perverso, mesquinho e vulgar, de pele clara e olhos azuis se contrap\u00f5e \u00e0 honradez, nobreza e justi\u00e7a personificadas em um \u00edndio de pele morena.<\/p>\n<p>As atrocidades praticadas por El Zarco (O \u201cAzul\u201d), dedicadas a saciar sua gan\u00e2ncia quase sobrenatural, atingem todas as camadas sociais. Em Yautepec, ningu\u00e9m est\u00e1 a salvo da mis\u00e9ria, nem mesmo os bandidos. Por\u00e9m, o autor \u00e9 cuidadoso ao evidenciar que tal cen\u00e1rio \u00e9 inequivocamente pior para os pobres honestos, alvo da viol\u00eancia de bandos como o de El Zarco e v\u00edtimas do descaso e dos abusos praticados pelas for\u00e7as do Estado.<\/p>\n<p><strong>Capa + jaqueta em couch\u00e9 300g\/m2<\/strong><\/p>\n<p><strong>14 x 21 cm, 192 p\u00e1ginas, papel P\u00f3len<\/strong><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Renato Roschel<\/strong><\/p>\n<p><strong>Capa de Fabio Cobiaco<\/strong><\/p>\n","protected":false},"featured_media":5903,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"pwb-brand":[],"product_brand":[],"product_cat":[15,162,158],"product_tag":[35,127,123,120,122,124,121,125,32,126],"class_list":{"0":"post-5495","1":"product","2":"type-product","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"product_cat-livros","7":"product_cat-impresso","8":"product_cat-terra-incognita","9":"product_tag-antropologia","10":"product_tag-bandoleiros","11":"product_tag-ladroagem","12":"product_tag-mexico","13":"product_tag-milicia","14":"product_tag-opressao","15":"product_tag-politica","16":"product_tag-romance","17":"product_tag-sociologia","18":"product_tag-zorro","19":"product_shipping_class-impressos","21":"first","22":"instock","23":"purchasable","24":"product-type-simple"},"brands":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product\/5495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product"}],"about":[{"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/types\/product"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5495"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"pwb-brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/pwb-brand?post=5495"},{"taxonomy":"product_brand","embeddable":true,"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product_brand?post=5495"},{"taxonomy":"product_cat","embeddable":true,"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product_cat?post=5495"},{"taxonomy":"product_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/mojo.org.br\/loja\/wp-json\/wp\/v2\/product_tag?post=5495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}