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A casa sem chave, de Earl Derr Biggers

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Este livro apresenta pela primeira vez o detetive Charlie Chan, que deu origem a séries de TV, cinema, desenhos animados e histórias em quadrinhos. Chan foi tão famoso quanto Sherlock Holmes em sua época.

O jovem John Quincy Winterslip é destacado por sua tradicional família de Boston a seguir para o Havaí e trazer de volta sua tia Minerva. Em visita ao seu enigmático primo Dan Winterslip nas paradisíacas ilhas, Minerva simplesmente se esqueceu de voltar ao continente. O feitiço tropical também seduz John Quincy, que se vê em dúvida sobre sua monótona vida em Boston — não apenas pela beleza das jovens e dos cenários, mas também pelo inesperado assassinato do primo Dan. A tudo isso se soma a presença do interessantíssimo e inigualável detetive de origem chinesa da polícia de Honolulu: Charlie Chan.
Cada detalhe da cena do crime, cada movimento dos suspeitos parecem levar a polícia e a família para mais longe do assassino. Certamente o crime foi planejado em seus mínimos detalhes, mas ao mesmo tempo descobrimos que a vida pregressa de Dan Winterslip foi tão ousada que inimigos que desejassem sua morte nunca lhe faltaram.
Este é o primeiro livro de Earl Derr Biggers a apresentar o posteriormente famosíssimo Charlie Chan. O detetive se espalho pelo mundo e pela mídia: foi sucesso até mesmo na própria China, nos anos 1930; e sua figura invadiu as telas do cinema e da TV, tanto em filmes como em desenhos animados.

Capa + jaqueta em couché 300g/m2

14 x 21 cm, 336 páginas, papel Pólen

Tradução de Lab Pub

Capa de Fabio Cobiaco

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Descrição

Leia um trecho:

A srta. Minerva se inclinou para a frente, seus olhos atentos buscavam o rosto de Dan. Ele estava virado para a parede, com a cabeça afundada no travesseiro.

— Dan — chamou com a voz titubeante. Colocou a mão sobre a face do homem.

O ar noturno estava quente e abafado, mas ela sentiu um calafrio quando afastou, num susto, a mão. Rápida! Ela precisava ser rápida agora.

Correu pela sala de estar até o hall. O telefone ficava em um armário sob as escadas da entrada. Seus dedos voltaram a tremer ao tatear os números do aparelho. Conseguiu discar, ouviu finalmente uma voz respondendo.

— Amos? É você, Amos? Aqui é a Minerva. Venha para a casa de Dan assim que puder.

A voz resmungou em protesto. A srta. Minerva interrompeu ríspida.

— Pelo amor de Deus, Amos, esqueça essa rixa estúpida. Seu irmão está morto.

— Morto? — repetiu imediatamente.

— Assassinado, Amos. Você vem?

Um longo silêncio. Quais pensamentos, a srta. Minerva indagou, passavam pela cabeça daquele puritano inflexível agora?

— Vou — uma voz estranha disse, enfim. E, então, uma voz mais parecida com a de Amos, como conhecia: — A polícia! Vou chamar, então vou para a casa de Dan imediatamente.

A srta. Minerva retornou para o hall e viu que a grande porta da frente estava fechada. Amos entraria por ali, ela sabia, então foi até lá e a abriu. Notou que havia ali um cadeado enorme, mas a chave havia sido perdida há muito tempo. De fato, em toda a bela casa de Dan, ela não conseguia se lembrar de alguma vez ter visto uma chave. Nessas Ilhas inofensivas e amigáveis, portas trancadas se tornaram obsoletas.

Voltou para a sala de estar. Deveria chamar um médico? Mas, não, era tarde demais, ela sabia muito bem disso. E a polícia — não trariam algum tipo de médico com eles? De repente, ela começou a especular sobre a polícia. Durante toda a sua estada em Honolulu, ela nunca havia pensado nisso. Será que aqui, no fim do mundo, haviam policiais? Ela não conseguia se recordar ter visto algum. Ah, sim — tinha aquele havaiano lindo de pele morena que ficou de guarda na esquina das ruas Fort e King, orientando o trânsito com ar de que logo revelaria ser o príncipe Kamehameha.[1] Ela escutou o som de uma cadeira sendo arrastada no lanai e foi até a porta.

— Nada pode ser movido aqui — disse. — Deixe exatamente como estava. É melhor vocês dois subirem e se vestirem.

Os dois empregados, ainda chocados, entraram para a sala de estar e se colocaram à sua disposição. Pareciam achar que o terrível incidente demandasse algum tipo de comentário, mas o que poderia ser dito? Mesmo no caso de um assassinato, um Winterslip deveria manter certa indiferença polida ao lidar com a criadagem. O sentimento da srta. Minerva por eles era amistoso. Ela tinha empatia por seu luto, mas sentia que não havia nada a ser dito.

— Depois que se vestirem — ordenou —, assumam seus postos. Vocês dois serão solicitados.

Ambos saíram, Haku em suas vestes ridículas e Kamaikui, murmurando e lamentando de maneira surpreendente para a srta. Minerva. Deixaram-na sozinha — com Dan — e ela que sempre pensou em si mesma como soberana, hesitava para sair para o lanai.

Ela sentou-se em uma grande cadeira na sala de estar e olhou fixamente para si na decoração de riqueza que Dan agora havia deixado para sempre. Pobre Dan. Apesar de todos os rumores contra ele, ela sempre o adorou imensamente. Diz-se para muitos — geralmente sem razão — que suas vidas renderiam livros interessantes. Isso foi dito a respeito de Dan, e nesse caso era verdade. Que belo livro daria sua vida — e certamente seria banido rapidamente das estantes da Biblioteca Pública de Boston! Dan vivera intensamente, fazia suas próprias leis, enfrentava suas batalhas sem piedade, prosperou e construiu sua jornada. Muitas vezes vagava por caminhos proibidos, diziam, mas seu sorriso era sempre amigável e sua voz cheia de alegria — sempre, até estas últimas duas semanas.

Desde aquela noite em que ele enviou a carta a Roger, parecia um homem diferente. Havia rugas em seu rosto pela primeira vez, um olhar exausto e apreensivo nos olhos acinzentados. E ficara furioso, na última quarta-feira, quando recebeu um cabograma enviado por Roger. “O que estava escrito na mensagem?”, a srta. Minerva refletia. “O que eram aquelas poucas palavras que o enfureceram tanto e o puseram a caminhar pesadamente pela casa?”.

Ela pensava em Dan como o havia visto pela última vez — um tanto emotivo. Quando chegaram as notícias de que o Presidente Tyler não aportaria até o dia seguinte, e que Barbara…

A srta. Minerva parou. Pela primeira vez, ela pensou em Barbara. Pensava em uma garota alegre e vivaz ainda não tocada pela tristeza — e em sua chegada pela manhã. Seus olhos se encheram de lágrimas, e através de sua confusão ela enxergou a persiana de bambu que levava ao hall ser puxada para o lado e revelar o rosto branco e magro de Amos.

Amos adentrou com cautela, pois andava no chão em que jurara nunca mais pisar. Parou diante da srta. Minerva.

— O que aconteceu? — ele disse. — O que é isso?

Com a cabeça, ela indicou o lanai, e ele foi até lá. Depois do que pareceu um longo tempo, ele retornou. Seus ombros se curvaram de maneira triste e seus olhos molhados estavam fixos.

— Esfaqueado no coração — murmurou. Ficou parado por um momento relembrando a imagem de seu pai na parede. — O salário do pecado é a morte — adicionou, como se falasse para o velho Jedediah Winterslip.

— Sim, Amos — disse a srta. Minerva, ríspida. — Eu esperava ouvir isso de você. E tem outra que você deve ter escutado, “não julgues e não serás julgado”. Mais que isso, não vamos perder tempo com moralismos. Dan está morto e, de minha parte, estou triste.

— Triste! — repetiu Amos com pesar. — E eu? Meu irmão, meu irmão mais novo… Eu o ensinei a andar exatamente nesta praia…

— Sim. — A srta. Minerva lançou um olhar penetrante. — Eu acho. Bem, Dan se foi. Alguém o matou. Ele era um de nós: um Winterslip. E o que você vai fazer quanto a isso?

— Eu avisei a polícia — disse Amos.

— Por que ainda não estão aqui? Em Boston, a essa hora… mas sei que aqui não é Boston. Esfaqueado, você disse. Havia algum sinal da arma?

— Nenhum que eu tenha visto.

— E aquela kris malaia ali na mesa? Aquela que Dan usava para cortar papel?

— Não notei — Amos respondeu. — Esta casa me é estranha, Minerva.

— Para mim também. — A srta. Minerva levantou-se e se dirigiu ao lanai. Ela voltou a ser seu antigo e competente eu. Naquele momento, uma batida alta soou na porta telada na frente da casa. Ouviam-se vozes no hall, e Haku guiou três homens para a sala de estar. Ainda que evidentemente fossem policiais, todos vestiam roupas comuns. Um deles, um ianque grande e de corpo definido, com o olhar de um mestre dos mares, deu um passo à frente.

— Meu nome é Hallet — disse. — Capitão dos detetives. O senhor é o sr. Amos Winterslip?

— Sou — Amos respondeu. Ele apresentou a srta. Minerva.

O capitão Hallet deu a ela um aceno casual. Aquilo era assunto de homem, e ele não gostava de mulheres envolvidas.

— Dan Winterslip, o senhor disse. — Ele anotou, voltando-se novamente para Amos. — É um grande pesar. Onde ele está?

Amos indicou o lanai.

— Venha, doutor — Hallet disse e atravessou a persiana, seguido pelo menor dos outros dois homens.

Ao saírem, o terceiro homem avançou pelo cômodo, e a srta. Minerva deu um pequeno suspiro de perplexidade quando olhou para ele. Naquelas ilhas quentes, homens magros constituíam o padrão, mas aqui havia uma notável exceção. Era muito gordo, de fato, e mesmo assim andava com a leveza dos passos delicados de uma mulher. Suas bochechas eram fofas como as de um bebê, sua pele pálida como marfim, cabelos negros bem curtos e os olhos oblíquos cor de âmbar. Ao passar pela srta. Minerva, curvou-se com uma cortesia raramente encontrada no dia a dia, então seguiu para alcançar Hallet.

— Amos! — gritou a srta. Minerva. — Aquele homem… por que ele…

— Charlie Chan — Amos explicou. — Estou feliz que tenha vindo. É o melhor detetive da repartição.

— Mas… ele é chinês!

[1] Kamehameha (“O Muito Solitário” ou “Aquele que foi separado”) foi príncipe infante condenado à morte por Alapai, criado secretamente até a idade adulta. Com a morte do rei Kalaniopuu, em 1782, o Havaí foi dividido entre seu filho, Kiwalao, e seu sobrinho, Kamehameha.

Informação adicional

Peso 0.5 kg
Dimensões 21 × 14 × 2 cm

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